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A história por trás de “So Get Up”, a música mais samplado da história musical.

A história por trás de “So Get Up”, a música mais samplado da história musical.

O “Americano Feio”?

Jorge Dias – (PÚBLICO/ Pop-Rock) Quinta-feira 10 Abril 1996

O greco-americano Ithaka Darin Pappas participou em “So Get Up” dos USL e assinou o album, “Flowers And The Color Of Paint”. Estão certamente entre os projectos mais fortes da música de dança feita em Portugal nos anos 90s. Entretanto, Ithaka viajou pelos Estados Unidos e o seu nome ficou um pouco esquecido. Até agora quando regressa a Lisboa para pôr em causa as sua antigas ligações.

Pappas “versus” USL-Kaos

Ithaka Darin Pappas passou alguns meses em Los Angeles, cidade de onde é natural e onde fez algums contactos para conseguir um “manager” e um advogado. “Fui aos Estados Unidos porque havia uma séria de problemas a resolver aqui. Um deles foi que fiz un disco em 1994 com os Underground Sound of Lisbon [USL] e, quando o gravámos, foi uma coisa entre amigos, estavamos a fazer arte em conjunto e foi uma coisa boa. Fiz um acordo verbal com eles segundo o qual receberia 25 mil escudos (approx. 120 €) por mil discos que fossem lançados em Portugal. Nunca se falou de contratos nem de distribuição no estangeiro.”

Desde então, “So Get Up” – que era originalmente o lado B do maxi que tería por tema principal “Dance With Me” – fez furor nos Estados Unidos, para onde o disco foi enviado, transformando os USL, de que fazem parte Rua da Silva (Doctor J) e Tó Pereira (DJ Vibe), no projecto de “dance music” nacional mais aclamado a nivel internacional.

 

“O tema entrou para as ‘charts’ e foi lançado em muitos paises, mas eles não reconheceram a minha participação. Apesar de muitas das remisturas que foram feitas – principalmente as de Danny Tenaglia e Junior Vasquez, as mais populares- practicamente só reterem as minhas palavras e a minha voz. Nessa ponto é questionável quem é realmente o artista. É o Ithaka? Ou são os USL? Quando se ‘descartaa a musica original e faz outra é questionável. É que não sou membro dos USL….?”, diz Ithaka. E acrescento: “Pode perguntar-se a quem se quiser, nos Estados Unidos ou em Portugal, o que é que indentifica a canção: são as palavras. Neste tipo de música, que há numeras versões diferentes, a etiqueta são as palavras. A canção é o poema.”

 

Dai que Ithaka reclame direitos de interpretação – “royalties”, uma vez que os direitos de autor lhe pertencem por direito – sobre os lucros com “So Get Up”. É que o poema a que Ithaka dá voz no “intro” do tema tinha sido escrito seis meses antes de ser convidado para juntar-se aos USL, depois de estes o terem ouvido numa emissão do programa Quatro Bairro, da Rádio Comerical. Segundo António Cunha, da Kaos, editora dos USL – e depois de o PÚBLICO ter marcada uma entrevista com Rui da Silva que acabou por não acontecer-, “o que passa é a velha história de negócio da música: quando as coisas têm sucesso há sempre alguema tentar aproveitar-se”.

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